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cidade de Lyon, nasceu, no dia 3 de outubro de 1804, de tradicional família francesa
de magistrados e professores, Hippolyte Léon Denizard Rivail, aquele que se tornaria
célebre sob o pseudônimo de Allan Kardec. Rivail começou seus estudos
em Lyon e prosseguiu no instituto do famoso professor Pestallozzi, em Yverdon,
Suíça. Colaborador inteligente e dedicado, logo se tornou um de seus melhores
alunos. |  |
Após concluir seus estudos, Rivail volta para Paris. Em 1825, cria e dirige
a Escola de Primeiro Grau, que tem vida curta devido à concorrência e animosidade
de escolas religiosas que dominavam a educação naquele tempo. Rivail
não perde tempo e funda o Instituto Técnico, em 1826, nos mesmos moldes da escola
de Yverdun, que obtém grande sucesso e permite a ele continuar escrevendo livros
pedagógicos. Empenhado no aperfeiçoamento pedagógico da educação francesa, escreveu
vários livros sobre esse tema, tendo sido premiado, em 1831, pela Academia Real
de Arras. Nesta mesma época casou-se com a professora Amélie Gabrielle
Boudet, mulher culta, inteligente, autora de livros didáticos, que se tornaria
uma importante colaboradora em sua futura atuação missionária. Rivail enfrentou
vários dissabores. Quando tudo parecia correr bem, seu tio e sócio leva o Instituto
Técnico à ruína, pois havia perdido muito dinheiro no jogo. Nada restava a Rivail
se não pedir a liquidação do Instituto ao qual se dedicara com tanto amor. Com
o capital obtido da partilha, Rivail sofre um novo revés. Depois de ter aplicado
o dinheiro no comércio de um amigo, este logo abre falência, por ter feito maus
negócios, e Rivail se vê na constrangedora situação de nada mais ter.
Para poder sobreviver, ele continua escrevendo livros didáticos e trabalhando
como contador em três empresas, o que lhe permitiu recuperar parte de seu antigo
padrão de vida. Chegou a organizar, também, em sua casa, cursos gratuitos de Física,
Química, Astronomia e Anatomia Comparada, que eram muito populares entre os jovens
da época. O nome do professor Hippolyte Léon Denizard Rivail era conhecido
e respeitado, e seus trabalhos, bastante apreciados, muito antes de ele se imortalizar
como Allan Kardec. A missão do Codificador começou a se delinear em
1854, quando Rivail foi convidado por um amigo, Fortier, para ver de perto as
manifestações das mesas girantes, que ocorriam nos salões da capital francesa.
Ele Já tinha ouvido falar do assunto, mas não compreendia o que acontecia. Criterioso
e ponderado, Rivail não se deixava levar por modismos e, estudioso do magnetismo
humano, acreditava que todos os acontecimentos estavam ligados à ação das próprias
pessoas envolvidas, e não a uma possível intervenção espiritual. Como um pensador
de sua época, austero, sincero e observador, Rivail exigiu provas, mostrando-se
inclinado à observação mais profunda dos ruidosos fatos amplamente divulgados
pela imprensa francesa. Ao longo de seus estudos, convenceu-se da existência de
um mundo invisível e de Espíritos por trás das manifestações. Um espírito
protetor contou a Rivail que eles haviam sido amigos numa vida anterior, entre
os druidas, na Gália, e seu nome era Allan Kardec, que posteriormente ele adotou
para distinguir os livros do professor Rivail das obras de Codificação Espírita.
No início, para receber dos Espíritos as respostas sobre os objetivos
de suas comunicações e novos ensinamentos, Kardec utilizou um mecanismo inédito,
a chamada cesta-pião, um tipo de cesta com um lápis no centro. Nas bordas das
cestas os médiuns colocavam suas mãos e, através de movimentos involuntários,
as frases-respostas iam se formando. Julie e Caroline Baudin, duas adolescentes
de 14 e 16 anos respectivamente, foram as médiuns mais utilizadas por Kardec no
começo de suas atividades. Com o decorrer do tempo, a cesta-pião foi
dando lugar à utilização das próprias mãos dos médiuns, fenômeno que ficou conhecido
como psicografia. Todas as perguntas e respostas feitas por Kardec aos Espíritos
eram revisadas e analisadas várias vezes, considerando sempre o bom senso necessário
a essa tarefa. As mesmas perguntas respondidas pelos Espíritos, através das médiuns,
eram submetidas a outros médiuns, em várias partes da Europa e América. Assim,
o codificador viajou para aproximadamente 20 cidades, com o objetivo de conferir
credibilidade às afirmações dos Espíritos, pois os médiuns não mantinham contato
entre si, somente com Kardec. Em 18 de abril de 1857 é publicado O
Livro dos Espíritos, considerado o marco inicial da codificação do Espiritismo.
O nome Rivail apaga-se definitivamente, dando lugar a Allan Kardec, como todos
passaram a chamá-lo, a partir de então. Kardec fundou, em 1º de abril
de 1858, a Societè Parisiènse des Études Spirites, primeira sociedade espírita
e local de estudos, além de incentivadora da formação de novos grupos. No mesmo
ano edita a Revista Espírita, primeira publicação do gênero na Europa e que serviu,
várias vezes, como fórum de debates doutrinários, entre partidários e contrários
ao Espiritismo. Em 15 de janeiro de 1861, Kardec lança o Livro dos
Médiuns e, em abril de 1864, publica aquele que seria o divisor de águas entre
a religiosidade da época - que até tolerava o Livro dos Espíritos - e a
nova doutrina que surgia como resultado do trabalho constante de Kardec, Imitação
do Evangelho Segundo o Espiritismo , nome que seria mudado, posteriormente,
para O Evangelho Segundo o Espiritismo. Com este livro, Kardec
atraiu a ira do clero que incluiu, em sua lista de obras impróprias para cristãos,
todos os livros de Kardec. No entanto, esta "classificação" deu um impulso formidável
às vendas dos livros de Kardec, pois todas as livrarias passaram a expô-los com
grande destaque. A seguir vieram O Céu e o Inferno , de 1865,
e A Gênese , de 1868. Chama a atenção, em todas as fases da vida
de Kardec, como a sua existência foi pautada por um intenso trabalho, principalmente
na fase da codificação, quando começava a trabalhar às quatro horas da manhã e
terminava somente depois das reuniões noturnas. Sempre fiel ao lema "Tudo o que
deve ser feito, deve ser bem feito!", Kardec não se negava ao trabalho árduo para
desenvolver e divulgar o Espiritismo. Kardec posicionava-se como servo
do Senhor pedindo, humildemente, permissão para dedicar a sua vida ao trabalho
constante em prol da humanidade. Seu exemplo mostrou que ele foi fiel àquilo que
pedia ao Pai. Em 31 de março de 1869, com 65 anos, a missão do expoente
máximo da Terceira Revelação chegava ao fim. Em Paris, desencarnava Allan Kardec,
que abriu as portas ao Espiritismo. Kardec foi, ele próprio, um mensageiro
enviado pelo Senhor em nome de Cristo. Kardec foi a divina ferramenta humana que
permitiu a chegada do Consolador Prometido até nós. Conheça as obras
de Kardec:
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - Allan Kardec
O LIVRO DOS ESPÍRITOS - Allan Kardec O
LIVRO DOS MÉDIUNS - Allan Kardec O
CÉU E O INFERNO - Allan Kardec O
QUE É O ESPIRITISMO - Allan Kardec
PRECES DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - Allan Kardec
A GÊNESE - Allan Kardec
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